BLOG - MAURICIO MARTINS

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Saiu a já esperada decisão...

E o Banco Central decidiu o que já era esperado por grande parte do mercado. Reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira de 11,5% para 11,25% ao ano.

A decisão foi unânime, ou seja, todos os membros do colegiado do COPOM (Comitê de Política Monetária) formado pelo presidente do BC e por diretores da instituição, votaram de forma igual, optando então por esta queda de 0,25%

Abaixo, a nota do COPOM justificando a decisão:

"O Copom avaliou a conjuntura macroeconômica e considerou que, neste momento, o balanço de riscos para a trajetória prospectiva da inflação ainda justificaria estímulo monetário adicional. Dessa forma, o Comitê decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária."

Bom, o fato é que o cenário desta reunião do COPOM é bem diferente do da última reunião, de modo que não só as turbulências do mercado internacional por conta da crise imobilíaria americana, mas também um repique inflacionário por aqui, estimulado pela alta no preço dos alimentos, contribuiram para que a queda fosse menor do que a observada nas últimas reuniões (quando a redução era de 0,5 ponto percentual).
Conversando com analistas de mercado, ficou claro que a maior parte deles espera mais um corte de 0,25% na reunião de outubro e aí a queda da taxa pára. Deve terminar o ano, portanto, em 11% ao ano. Aí o BC deve observar a inflação e demais fatores para decidir se volta ou não a reduzí-la. E quiçá até aumentá-la. Tudo depende dos humores do mercado financeiro internacional.
O fato é que há muito tempo não vemos uma crise mundial. Talvez o último momento de verdadeiros problemas em âmbito internacional tenha sido o atentado de 11 de setembro de 2001 nos EUA; por aqui, a crise eleitoral de 2002 foi o mais antigo momento verdadeiramente turbulento. O governo Lula, portanto, ainda não enfrentou nenhum momento grave como os do passado. Nem o presidente, nem a equipe econômica, nem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Claro que torcemos para que não haja uma crise no horizonte próximo. Mas ela pode aparecer sim. O pior de tudo isso é que historicamente não existem longuíssimos períodos de grande crescimento mundial continuado sem que a locomotiva da economia global não atinja o ponto mais baixo da montanha-russa. A economia tende a ser cíclica, e o ciclo de crescimento vem há mais de 6 anos sem maiores instabilidades. Agora veio uma leve turbulência, ainda não sabemos se passamos por ela sem problemas ou se mais pra frente o vôo pode voltar a ter problemas. É torcer para que nenhuma turbina do avião tenha se danificado na turbulência.

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